Rasteiro.
Foi na minha caminhada que percebi,
Andei, andei, passos longos,
Na longa trajetória percebi que só restava andar,
Nesse tempo observei tudo ao meu redor.
As vezes sentia o chão sumir, sumia com o chão,
Brotava com a relva no amanhecer, não com o sol, mas com a
lua,
Dormindo quando o raio brotava na minha nuca nua.
Nu, despido de pudor, eu vagava luminoso pela praia.
Vagalume-lume, piscava na escuridão,
Passos, após passos, vagando na vida,
Andava nu, descalço em pedregulhos. Lama!
O cabelo foi crescendo, o dente foi caindo,
Os pés foram ficando calejados, as mãos tremulas,
Os dias foram ficando longos, as noites curtas...
O sorriso virou um vaga-lume, um pingo de luz
Sem lua nas trevas nua, sem roupa, sem pudor,
Caminhando rasteiro com os pés na merda.
Francisco Maia.