sábado, 14 de junho de 2025

Rasteiro.

 

Rasteiro.

Foi na minha caminhada que percebi,

Andei, andei, passos longos,

Na longa trajetória percebi que só restava andar,

Nesse tempo observei tudo ao meu redor.

 

As vezes sentia o chão sumir, sumia com o chão,

Brotava com a relva no amanhecer, não com o sol, mas com a lua,

Dormindo quando o raio brotava na minha nuca nua.

Nu, despido de pudor, eu vagava luminoso pela praia.

 

Vagalume-lume, piscava na escuridão,

Passos, após passos, vagando na vida,

Andava nu, descalço em pedregulhos. Lama!

 

O cabelo foi crescendo, o dente foi caindo,

Os pés foram ficando calejados, as mãos tremulas,

Os dias foram ficando longos, as noites curtas...

 

O sorriso virou um vaga-lume, um pingo de luz

Sem lua nas trevas nua, sem roupa, sem pudor,

Caminhando rasteiro com os pés na merda.

 

Francisco Maia.