quinta-feira, 19 de junho de 2014

Riscando fósforos.

Não foi a vida que me judiou!
Fui eu que judiei da vida!
Sentei, acendi um cigarro,
Escarrei do lado - o chão.


Levantei a mão... Um trago -
O peito aquecido, a voz rouca,
Murmurou o fim de uma noite.


Abandonei a vida triste;
De alegre, então fiquei,
Deixei a carne podre.


Parei em sonho ébrio,
Na honestidade plena
De ser humano em tanta
Mesquinharia mundana.

Francisco Maia

domingo, 8 de junho de 2014

Ouvindo.

Ouvindo.

Tudo começa com uma tinta,
Tudo começa com um pensamento,
Tudo começa com uma vida.

Dois olhos posto, olhando...
... dois olhos sendo olhados...
Sorrisos, choros, amor.

Amei, amar. Não é que é?
O incógnito é para ser sentido,
E os sentidos perto de ti se perdem.

Más, como disse outrora.
Tudo começa com uma vida.
A vida que eu tenho,
A vida que você tem.
É a vida que temos...
...amor.

Francisco Maia.


sábado, 22 de março de 2014

Mulher Gato

Mulher Gato


As noites não são mais as mesmas
Sem você para alegrar a minha vida
Sem ter horas maravilhosas na madrugada
Fico aqui sempre te esperando, um vigilante
                                          [das noites escuras.

Fiquei sabendo que adoeceste,
Que não viria nessa noite,
Que as madrugadas ficariam sem a sua
                                            [proteção
E eu sem o aconchego do seu coração.

Mas, como minha obrigação, fiquei,
Esperei em vão a sua presença,
Nessa vã espera sonhei...

Que a Mulher Gato vigilante estaria
Em uma noite de luar com o frio e o mar
Sentada olhando o dia claro chegar


Francisco Maia

quarta-feira, 12 de março de 2014

Crianças

Crianças


Pobre criança.
Que esperam o telefonema do namorado,
Brincando de boneca.
Desafia a vida sem conhecê-la.

Tem do seu próprio ser
A concepção de que o mundo é perfeito.
Tu não sabes que a vida também é feita de derrotas?
Só o que tu tens é a incerteza!

Maldita inconsequência,
Da maldição a sua veemência,
E do fundo a carência,
Tens como demência.

O amar com carência,
Só esperar a conveniência,
Sem saber
Da consequência.

A paixão é de ti
A dor pura.
Se sente tão emersa na pura loucura
Que esquece a sua própria doçura.

De que tu és apenas criança,
E explora os que te cortejam como cobra,
Vivendo no seu próprio mundo desconhecido
Pensando de que todos te adoram.

Olhe ao seu redor criança!
Vês, a lua nasce e quebra a escuridão,
Saia da noite, viva um pouco mais...
Deixe de sentir a dor humana.

Volte ao seu mundo de boneca,
Deixa os seres humanos se matarem,
Você ainda tem um pouco mais de tempo!
Volte a ser apenas uma criança.


Francisco Maia.  15/12/05


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Leitura.

Leitura.

Se você se orgulha em ter lido um livro, lhe digo caro amigo:
Não adianta lê e não ter empatia.
Será sempre um ser que matou, morreu, amou, gostou,
Foi amado, torturado, teve a morte como amante, viveu,
E teve na existência uma ficção da vida.
Agora meu caro amigo, se você leu um livro, e nele você
Sentiu a dor do outro, o amor do outro, chorou e percebeu
Que na ficção tinha mais humanidade que você dá para
Os seus colegas!
Aí sim meu caro amigo, tu leu um livro. Exercitou a empatia,
Tem como ver que o ser ao seu lado, no dia a dia tem sentimentos,
Que vive, é capaz de amar e morrer por um amor na humanidade.


Francisco Maia.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Indo

Indo.


Nesses últimos dias de dezembro ,
eu  me vou, andar sem pernas.
Vou me jogar em seus braços, teus afagos.
Pedir que a morte gélida me condene,
Em pedra de mármore descase o meu corpo,
Em repouso nos eternos lábios teus.

Os meus olhos são teus, ouvido e tato.
Tudo que cai, é de graça, mas de graça eu
Tenho o seu sorriso, transforma a minha vida,
Faz-me feliz por um instante, e o infinito se
Propaga por química, matemática e se torna humano.


Francisco Maia..




sábado, 14 de setembro de 2013

Ouvindo o eu “ou”

Ouvindo o eu “ou”

Poemas nascem quando a saudade bate forte,
Ou quando o "ou" não sabe onde vai parar.
Mas esse "ou" encontrou alguém para pousar os olhos,
Quando as lágrimas escorrem,
As forças não levantam ele da cama,
O "ou" pensa, acha, o outro, e o sentido fica forte e,
A cama pequena para tanta paixão.
O mundo clareia em ouro,
Tem forças, e a amada paira em meus pensamentos.
Tudo tem fim, sei disso,
Mas o meu sera nos braços trêmulos da moça,
Quando esvaído a minha vida,
Alma perdida em seu colo
e o "ou" se fez feliz,
Deu lugar ao que me tornei...
... O Eu.



Francisco Maia